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GRAFOLOGIA – Instrumental Para a Segurança - Célia Menezes



Nossa letra funciona como um sinete, um marco individual, não existem duas iguais em todo o mundo. Ela pode representar o que somos, pensamos, desejamos, fazemos ou que ainda iremos realizar. Shakespeare, no século XVI, coloca na frase de um personagem:
“Dê-me a letra de uma mulher e eu lhe direi seu caráter”. Era o início, baseado na intuição.

O primeiro livro dedicado integralmente à Grafologia foi escrito por Camillo Baldi (Médico e
Professos de Filosofia da Universidade de Bolonha) em 1622.A Grafologia Moderna inicia-se em
1872, com o livro “Os Mistérios da Escrita”, pelo Abade francês Jean Hippolyte Michon. Ela pode ser definida como o método ou fórmula que define a personalidade através da letra.

Na concepção da Grafologia, as principais zonas do cérebro utilizadas para escrever são: o
Tálamo, sede da emoção e da coordenação de movimentos; o Paládio, que intervém na coordenação e motricidade e transforma movimentos voluntários em mecânicos; e o cérebro, que preside a orientação geral do corpo e assegura a precisão dos movimentos.

Os princípios científicos da Grafologia baseiam-se na Psicologia do gesto e da expressão.

Não restam dúvidas que a escrita é o gesto fixado no papel. A pessoa de gestos largos, sóbrios, rápidos,lentos etc...;
Quando escreve, normalmente o faz da mesma maneira. Pense em alguém que você conhece tipo “paradão”, essa pessoa irá escrever devagar, com gestos pausados. Faça um teste com você, escreva algo quando estiver nervoso, ou doente, ou dor de cabeça, ou gripado, ou dor de dente e compare com outro escrito em ocasião normal, compare a letra, ela sairá
totalmente diferente.

Os gestos correspondem a uma linguagem universal. Não precisamos conhecer uma pessoa, mesmo diversa de
nossa raça, país ou formação acadêmica, para perceber ódio, raiva, alegria , tristeza, sedução etç. Tal qual a impressão
digital, a escrita é única, inimitável. Imita-se o conjunto, porém jamais os detalhes.A Grafologia não é adivinhação.
Quanto mais dados se conhecer a respeito da pessoa analisada, maior é a efetividade da análise grafológica, que é
ferramenta de suporte para análises diversas.


Avaliações primárias podem ser feitas a partir de dados simples : Se a pressão da
escrita for muito forte, indica dinamismo psíquico mental; se for inclinada à direita, extroversão; com os dois conclui-se que a pessoa possui capacidade de realização.

A Grafologia complementa os testes psicológicos específicos e até mesmo a entrevista pessoal.

Como não requer a presença do interessado, sem entrarmos no terreno da ética, não se exige presença do mesmo, isso facilita muito, pois um candidato a um emprego no Rio Grande do Sul pode ser avaliado em São Paulo, assim como uma avaliação de fraude pode ser feita descartando eventuais suspeitos à distância.

Em recrutamento a grafologia é usada de forma bem ampla. Os anúncios de emprego, quase sempre, pedem carta de próprio punho, com certeza para análise grafológica, permitindo de pleno uma avaliação inicial quanto ao conjunto do perfil a que

se destina o candidato.Sinais de uso ou abuso de drogas e alcoolismo no candidato ou colaborador, podem ser obtidos a partir da análise, sendo instrumento indispensável para avaliações de pessoas que atuem em áreas onde o gerenciamento de risco seja utilizado.

Em investigações e apurações de ações criminosas (fraudes,furtos,roubos...) pode ser largamente aplicada, pois
além dos traços de personalidade identificados, poder-se- á observar mentiras e dissimulação. Baseado nesta perspectiva,
a segurança ocupacional e a segurança organizacional, podem servir-se da ferramenta para validar suas atividades profissionais. Médicos, Psicólogos, Terapeutas e outros profissionais usam a grafologia, pois possibilita a descoberta de distúrbios neurológicos, transtornos psiquiátricos e enfermidades em geral.

Para finalizar ilustraremos com uma analogia do Psicólogo alemão Jung que criou quatro tipos principais para definir
a maneira de o homem se relacionar com o mundo: Sensação, a apreciação dos fatos passa pelos sentidos; Intuição, trata-se
da avaliação inconsciente dos fatos; Pensamento, a pessoa julga através de uma análise racional dos acontecimentos;
Sentimento, a percepção do mundo está inteiramente submetida ao domínio afetivo. Cada uma dessas funções aparece nas
pessoas em diferentes graus.

Na letra, pode-se identificar a função Pensamento pela letra reduzida, concentrada e com traçado ordenado; Sentimento,
pelo grafismo grande, dilatado, inclinado à direita e cheio de curvas; Intuição, torna a letra mais instável, desligada, com pressão mais fraca; Sensação, faz o traçado lento, estável e pastoso.Com esses dados você já pode até fazer uma tentativa de verificar
qual a função que predomina em sua personalidade e de seus colaboradores, mas treinamento com bases científicas
o tornarão mais seguro na avaliação.


Célia Menezes
Doutora em Psicologia, Administradora, Consultora
nas áreas de RH, Qualidade, Treinamento e Gestão.
E-MAIL : celiapsi@estadao.com.br